quinta-feira, janeiro 10, 2013

"posso fazer uma perguntinha?"

O que percebo na prática de advogacia, é o fato da famosa "posso fazer uma perguntinha?". Bom isso não é novidade para ninguém, é de conhecimento de todos que é um ato frequente da população de um modo geral. Basta alguém saber que você é advogado ou que faz direito que lá vem alguns causos da sua vida para ajudar a solucionar. Na verdade o que muitos buscam é mais que apenas uma pergunta, é um milagre.

Porém o mais irritante, é o fato de quando um cidadão precisa ir ao médico ela paga a consulta e não reclama. Acaba entrando no consultório médico, relata o que tem, o médico mal olha para a sua cara e entrega a receita ao paciente, que sai do consultório sem falar nada a mais.
Mas quando a figura muda, e é um advogado, percebo que este tem, ao ver da população a obrigação de responder as famosas perguntinhas, sem cobrar uma consulta. Mas porque? Afinal ao médico todos podem ir sem questionar o pagamento da consulta, mas a um advogado não podem estar efetuando o pagamento da consulta para sanar as suas dúvidas.

Vejo isso como sendo um desrespeito a nossa profissão ou futura para aqueles que como eu ainda são estudantes de direito. Estudamos tanto quanto, ou mais que o médico, e não podemos estar cobrando aquilo que é devido? Afinal enquanto muitos ficaram em casa assistindo a sua novela preferida, dormindo suas horas de sono, nós estávamos estudando, muitas e muitas noites a dentro. Virando noites para conseguir estudar aquilo que era o necessário e muitas vezes nem conseguimos dar conta de uma parte. Mas mesmo assim, continuamos a persistir, em uma busca constante e sofredora de atualização do nosso conhecimento.  Nós abdicamos muitas vezes dos finais de semana, feriados, momentos de lazer em família, tudo em função daquela profissão que escolhemos.
Não estou aqui questionando a carreira, afinal é de conhecimento de todos como seria árduo o trabalho, porém, estou aqui questionando a falta de reconhecimento que sofremos. Afinal, necessitamos cobrar os honorários e as consultas, pois é desta que tiramos o nosso sustento.

Então aquela famosa "posso fazer uma perguntinha?" é algo irritante. Pois com ela sabemos que o pessoal não quer pagar uma consulta que era devida, e muitas vezes vai nos tomar um enorme tempo. Afinal muitas vezes precisamos ir além do nosso papel como advogado, precisamos e necessitamos usar psicologia, mediação, entre tantas outras coisas que são necessárias durante um visita de um cliente assim como a elaboração de uma ação. Não é simplesmente copiar e colar, necessita-se montar estratégias, horas de preparação para que uma ação fique bem elaborada, assim como a sua defesa. E vem algumas pessoas e querem os nossos conhecimentos, sem pagar o que é necessário por isso. Sei que algumas pessoas irão dizer que o conhecimento necessita ser compartilhado. Concordo completamento, porém não se esqueçam das noites em claros, dos momentos de diversão que você deixou para poder estudar. Queremos apenas o reconhecimento por aquilo que lutamos.

2 comentários:

  1. A resposta para essas "perguntinhas": Realmente esse seu problema é muito sério e relevante, para que isso possa ser resolvido de maneira correta é necessário a contratação de um advogado, para que ele possa estudar o caso mais profundamente.

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  2. A resposta para essas "perguntinhas": Realmente esse seu problema é muito sério e relevante, para que isso possa ser resolvido de maneira correta é necessário a contratação de um advogado, para que ele possa estudar o caso mais profundamente.

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O Autor


Henrique Araújo: Jusblogueiro desde 2012 e alérgico à lactose desde sempre. Acredita que o conhecimento só é válido quando compartilhado e está aqui pra somar. Melómano, amante do direito constitucional e enxadrista por teimosia. Docente em formação, escreve por hobbie e espera que esse Blog seja útil pra você. Aprovado no XIX exame da OAB. Sabe que um mundo perfeito é utópico, mas que é perfeitamente possível torná-lo melhor por algo ou pra alguém, escolheu o direito como ferramenta de materialização dessa ideia. Sigam-me os bons.

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