11.22.2013

Saia de oncinha: Advogada barrada no TJ diz que foi ‘brutalmente ofendida por militares’






A advogada Mirnia Alves, que foi proibida de entrar nas dependências das Câmaras Cível e Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) nesta quarta-feira (20), por usar supostamente uma saia imprópria, classificou a postura dos militares do TJ como brutal e afirmou que toda situação a abalou fortemente. Ela participou, na tarde desta quinta-feira (21), do programa Verdade e Informação, da TV Mar, apresentado pelo jornalista Jeferson Morais.

A advogada revelou que não conseguiu dormir nas últimas 24 horas em virtude de toda a confusão. Ela agradeceu o grande apoio ofertado por autoridades, colegas de colegas, familiares e até desconhecidos.

Visivelmente emocionada, a advogada contou como tudo aconteceu, lamentando, também, a recorrência da postura dos militares para com outras colegas. Ela disse que se dirigia normalmente para as Câmaras quando os militares responsáveis pela proteção do prédio a abordaram na porta do elevador, informando-a sobre a utilização do traje inadequado.

“Não tenho costume de usar calças jeans. Uso vestidos e saias e, diante dessa situação, me senti a pior pessoa do mundo. Fui brutalmente ofendida por esses militares. A postura dos PMs foi reafirmada por outras funcionárias, o que mais doeu. Em alguns momentos, cheguei a pensar, de fato, que estava vestida como uma verdadeira ‘periguete’. No momento da abordagem, estava usando uma saia normal, que utilizo para trabalhar e nunca tive nenhuma problema. Entendo que a roupa não afrontava nenhum ato normativo do TJ”, informou a advogada.

Mirnia disse também que, apesar do ‘escândalo’ em virtude da postura dos militares, o presidente em exercício do Tribunal de Justiça, o desembargador Tutmés Airan, fez questão de procurá-la e lhe dar total apoio. “Como mãe, advogada e ser humano estou bastante triste. Nunca pensei em passar por tamanho constrangimento. É muito revoltante ter sido impedida de entrar no local que trabalho há anos. Como resultado desta postura preconceituosa, perdi os dois julgamentos que estavam marcados para esta quarta-feira. Não cometi nenhum crime ambiental, pois a saia de oncinha que vestia era de couro sintético. Portanto, não havia nenhuma norma legal que justificasse a postura absurda da Polícia Militar”, criticou a advogada.

Ainda na entrevista, a advogada revelou que o desembargador desembargador Tutmés Airan assegurou que na próxima sessão do Pleno do Tribunal de Justiça, semana que vem, o assunto em questão vai entrar em discussão. Ela disse, ainda, que na hora da confusão o desembargador classificou tal ato normativo como ultrapassado e, devido a isso, os militares deveriam rever e até reconsiderar a postura frente a casos semelhantes.

“Não é a primeira vez que fui barrada no Tribunal. Em outra situação, há alguns dias, os militares disseram que eu não poderia entrar. Fui em casa e troquei de roupa. Graças a Deus o caso de ontem repercutiu na imprensa e acredito que essa postura infeliz não vai mais se repetir. Outras colegas, também já foram barradas. Certa vez, uma advogada teve de votar para a cidade de Arapiraca para trocar a roupa. Agradeço, publicamente, o apoio de todos os amigos”, contou a advogada.

O que diz o TJ

Por meio de nota à imprensa, a Diretoria de Comunicação do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, respondeu a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Alagoas, e criticou a atuação da assessoria militar ao analisar os trajes usados por advogada ao ingressar na Corte.

Confira os esclarecimentos:

1- É perfeitamente compreensível a postura da respeitável instituição no elevado mister de participar da Administração da Justiça, bem como na intransigente defesa dos direitos e prerrogativas de seus associados;

2- A observância à indumentária usada por quem ingressa nas dependências do Tribunal decorre do Ato Normativo nº 15, de 30 de abril de 2009, ainda em vigor;

3- Acrescenta que, nos informes constantes na Presidência do Poder, não houve nenhum tipo de atitude por parte de nossos servidores que caracterize “atitudes arbitrárias”, “agressivas”, “desrespeitosas” ou “truculentas”, tendo eles agido com a devida urbanidade;

4- O Tribunal de Justiça reafirma o mais acendrado respeito por todos os profissionais do Direito e pelos demais usuários de seus serviços.

FONTE: GazetaWeb.com

7 comentários:

  1. Eles mesmos criam suas regras, a PM executa e sai como ruim... AVA!!!...

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  2. Interessante observação, André. Acho que você quando se referiu a eles mesmo quis dizer os juízes não é? Pois a advogada não criou essa norma. Quem ficou mal na fita foram os PMs que apenas estavam cumprindo ordens, famoso elo mais fraco da corrente.

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  3. Sinceramente, eu jamais teria coragem de entrar em um tribunal com uma saia cuja estampa seja de oncinha. Sei que nós mulheres adoramos ser femininas e caprichar no visual, mas bom senso é obrigação nessa profissão. Os homens, usam terno e gravata para ir às audiências. Em todas as cidades que eu passo aqui em Minas, todos eles estão devidamente vestidos de ternos, ainda que o calor esteja de matar. A mulher já possui muito mais liberdade: pode usar saias e vestidos. No entanto, é sempre bom optar por saias que vão ao joelho, cores neutras, discretas. Pois ainda que nos deixem entrar, nada mais deselegante que ficar andando com uma roupa de estampa de oncinha. em um lugar onde todos buscam a discrição. Dias atrás no tribunal de Betim, vi uma advogada com uma calça cor de rosa, super colada. Até aí tudo bem: se a calça não fosse transparente a ponto de mostrar a calcinha de bolinhas azuis.

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  4. Muito bom, Sabrina. Interessante argumentação.

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  5. Concordo plenamente com aqueles que não permitiram a entrada da "advogada" ao referido tribunal, pura e simplesmente porque é de conhecimento de todos que neste ambiente é necessário o uso de traje forense, o que notoriamente não era o caso da colega. Não se trata da estampa do tecido, a questão é a vestimenta completa, que diga-se de passagem, em nada corresponde com o respeito esperado de um profissional do Direito com sua profissão, clientes e demais entes da Justiça.

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  6. Uma vez minha mãe me perguntou o que eu queria ser quando crescer ??? prontamente respondi;
    advogado.Na sua ignorancia me retrucou; porque Advogado? prontamente lhe respondi.
    ___ E o curso mais barato que tem no mercado ( corresponde a um curso de Ingles e espanhol) e tem
    mais, posso trabalhar de dia estudar de noite, mais ainda, posso me transformar num Juiz ou de
    desembargador, quem sabe em um ministro de justiça.
    Estudar Direito era Onda em 1974....Os cursos de fim de semana ( sabado e domingo) era o
    grande barato. Oremos Sabrina Liddel.... me desculpe... vce não entendeu nada??? eu sabia !!!
    Vce continuará não entendendo.... oremos sabrina. Vá lá e confira em " LOCUM" ( corrija pra
    mim).... Fique lá durante 6 meses observando.... oremos sabrina.... entendeu???
    Quer mais ???? não falarei mais nada Sabrina..... Oremos
    JMN

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