12.07.2013

O complicado diálogo entre o senso de justiça

Uma das coisas mais complicadas de se debater no âmbito jurídico é o famoso senso de justiça. Não sei se é infelizmente ou felizmente, mas uma coisa que podemos afirmar a respeito do assunto é que justiça é um conceito muito subjetivo e por isso pode possuir diversos significados.

Para alguns, que presumo ser a maioria, o conceito de justiça remete-se à conduta de fazer o que os bons costumes mandam. Entre outras palavras isso quer dizer que é justo fazer o que você convém a pensar que outra pessoa gostaria que você fizesse esse ato. É a busca da aceitação interior que acaba consolidando uma ação sua que confortará o seu senso de justiça.

Já para outros a justiça é fazer o que é previsto na lei, independentemente disso agradar ou não a opinião alheia. Nesse caso, quem possui esse senso de justiça é estritamente técnico em fazer o que está escrito no papel e ponto final. Entretanto, apesar de à primeira vista parecer uma opinião fria, a justiça estritamente ligada à lei quer nada mais nada menos que garantir um tratamento igualitário a todos nós.

É ai que surge o problema: Qual senso de justiça é mais humano? O baseado estritamente na vontade pessoal de fazer algo que agrade a si e ao próximo ou fazer apenas o que a lei permite? Provavelmente nunca teremos um entendimento pacificado a respeito dessa indagação. Às vezes o sentimento humanitário acaba extravasando e prejudicando outras pessoas ao invés de ajudá-las.

 Exemplo: Você vê alguém passando fome e rouba no mercadinho algo para que a fome daquela pessoa seja saciada, é justo retirar uma pequena quantidade de comida de um local enorme e repleto dela? Para alguns sim, pois quem  tem muito tem obrigação de ajudar a quem tem pouco ou nada. Já para outros isso é um absurdo e poderia ser resolvido de outra forma como por exemplo pedindo ao comerciante para que ele desse algo comestível à pessoa que está nessa triste condição de miséria.

Engana-se quem pensa que a justiça possui apenas essas vertentes. Tem gente que afirma que nem tudo que é justo é moral mas tudo que é moral é justo. Já outras preferem usar a legalidade ao invés de moralidade por considerarem o legal moral por consequência. O que importa é que façamos algo que seja útil para alguém, independentemente de nossas convicções de justiça. 

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