Nas rodinhas de conversa entre estudantes/concurseiros ou até mesmo nas primeiras aulas dos profes...

Fator financeiro e amor pelo curso: Dá pra ter os dois?

By | terça-feira, março 24, 2015
Nas rodinhas de conversa entre estudantes/concurseiros ou até mesmo nas primeiras aulas dos professores – lá no comecinho do curso -, é quase certo que alguém,  até mesmo o professor, pergunte:  O que motivou você a entrar no curso?

As respostas são variadas:

- Inconformismo social!
- Quero contribuir com a justiça!
- Quero ser delegado(a)!
- Quero ser advogado(a)!
- Quero ser Juiz!

Até ai tudo bem, todo mundo escuta calado a resposta do colega. Mas quando alguém responde:

- Dinheiro, passar num bom concurso e ganhar minha grana! Ou até mesmo advogando.


Logo após a resposta o próprio questionado solta uma risada – forçada ou não – e em seguida quem está ali também gargalha junto. É como se fosse uma piada, ou seja, a motivação financeira não pode ser levada a sério, afinal, quem entra no curso pensando em dinheiro tem tudo para ser um(a) mercenário(a) corrupto(a). É o que dizem por ai. 

Criou-se um tabu não só no curso de Direito, mas creio que em qualquer curso Universitário e em qualquer profissão, que pessoas que visam logo de cara entrar em algo pelo fator financeiro não gostam do que fazem, tão nem ai pra profissão e tal. Algumas pessoas que dizem não estarem no curso por causa de dinheiro, gostam de zombar que assume justamente o contrário. Por causa disso, alguns até não explanam suas reais intenções.



Em decorrência disso, quem entra no jogo por conta do fator financeiro acaba usando como arma contra quem não pensa como eles a zombaria. 



"Então você quer ajudar a justiça? Então quer ser Juiz? Vai ter que passar na OAB primeiro, trouxa HUE HUE HUE BR BR"


Afinal de contas, quem está com a razão?


A partir do momento em que João utiliza suas convicções íntimas, como por exemplo o que o motivou a ingressar no curso, para rechaçar Pedro que, por ter convicções diferentes, elegeu outros motivos como importantes e que, por isso, também rechaça João, nenhum dos dois estão com razão. Cada um tem uma trajetória de vida, cada um sabe o que é mais importante pra si, cada um tem o direito de escolher o que é mais importante em sua vida. O fato de ser uma escolha diferente da minha não me dá respaldo pra rechaçá-lo. 

Afinal de contas, é pecado visar o dinheiro?

Não, não é. O problema é que criou-se um estereótipo de que deixar claro que você visa somente isso, vive em função disso, respira isso, fica em casa, no trabalho e na faculdade contando cada segundo que falta pra ganhar dinheiro através de concurso ou como profissional liberal. Não é levado em conta, muitas vezes, que não há problema nenhum em querer ser bem remunerado pelo que faz. 

Você estudou pra isso, seu mérito é tão igual quanto ao do amigo que diz amar o direito pra cima e pra baixo. Aliás, qual é a relação entre querer ser bem remunerado e não gostar do direito? É totalmente possível unir o útil ao agradável, trabalhando em algo que de alguma forma te motive é o que importa. 

Se você realmente está nisso por causa da grana, que bom! Parabéns! Está no lugar certo! O que mais tem é tribunal com bons salários e concursos constantes com excelente remuneração e excelentes condições de trabalho (há exceções). Aliás, hoje em dia, com o advento da internet onde qualquer um pode estudar sem gastar muito dinheiro, para conseguir acesso à determinadas vagas em concursos jurídicos o cabra tem que amar e muito o direito, inclusive amar passar horas estudando porque o nível aumenta constantemente. Não tá fácil pra ninguém, mas é como diz o velho ditado: As raízes do estudo são amargas, mas seus frutos são doces! E um desses frutos é a remuneração, apenas um! Tem muito mais. Existem muitos concursos esperando você, boa sorte! 

Afinal de contas, é pecado dizer que ama o direito?

Não,  não é. O problema é que se criou um estigma de que sair dizendo que ama o direito soa um tanto quanto tolo por parte de quem pronuncia. Mas, diga-me: Existe alguma coisa que consiga agradar a todos? Ou, melhor, existe alguém que agrade a todos? Não, não existe.

Você tem todo o direito de amar o que bem quiser. Se você realmente ama o direito, que bom, parabéns! Estude muito, aprofunde-se! Beba da fonte do que você ama. Nosso País precisa de pessoas que amam o conhecimento para contribuir com os avanços individuais e sociais, afinal o conhecimento é bom quando adquirido e melhor ainda quando compartilhado.

Não que isso signifique que o pessoal que gosta mais do fator financeiro não contribua também, afinal uma coisa não está necessariamente apartada da outra.

Não se deixe levar por zoações de terceiros, se é o que você realmente gosta, vá fundo! Existem diversas escalas do ensino jurídico aguardando você e seu amor pelo Direito. Boa sorte!

Considerações finais

Independentemente do que tenha te motivado a ingressar no curso, o que importa é que você esteja satisfeito com o que faz. Se o que você espera dentro do direito é trabalhar num grande cargo e ser bem remunerado por isso, existem vários concursos aguardando sua inscrição. Se o que você espera dentro do curso é o aprofundamento na seara jurídica simplesmente por amor ao conhecimento, o que não vai faltar  é teoria para você se debruçar e buscar a preponderância e dialética acerca de cada uma e assim encontrar possíveis soluções no campo fático. 

Se o que você quer é a junção dos dois, veja que é perfeitamente possível conciliar, afinal de contas, os níveis de alguns concursos, v.g. magistratura, MPF, procadorias, entre outros, exigem um verdadeiro amor pelo conhecimento (até porque cai quase todas as matérias jurídicas e o nível de aprofundamento com o avançar das fases é notório) e, como bem sabemos, há um retorno financeiro interessante.

Avante!
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